Nasce a Star Division
Marco Börries funda a Star Division em Hamburgo, na Alemanha. Ela seria a responsável pela suíte StarOffice, que venderia mais de 25 milhões de cópias e daria origem ao OpenOffice.org.

Da pequena Star Division, na Alemanha, à suíte livre usada por governos, escolas e milhões de pessoas. A história contada por quem acompanhou cada fase.
Por Rogerio Barreto · atualizado em 24/10/2026

Marco Börries funda a Star Division em Hamburgo, na Alemanha. Ela seria a responsável pela suíte StarOffice, que venderia mais de 25 milhões de cópias e daria origem ao OpenOffice.org.

Marco Börries escreve o StarWriter I, inicialmente para o computador Zilog Z80 e o sistema CP/M, e depois o leva para o DOS.

O StarWriter chega ao Amstrad CPC (vendido na Alemanha pela Schneider) e ao Amstrad PC-1512, com MS-DOS 3.2.
Aos poucos, outros programas se juntam ao editor, formando um pacote de escritório para DOS, OS/2 e Windows. Daí em diante, o pacote passa a se chamar StarOffice.

É lançado o StarWriter para o Atari ST, a linha de computadores da Atari que foi a primeira com interface gráfica colorida em bitmap, usando o GEM da Digital Research.

O StarOffice 1.0 chega ao mercado e ajuda a construir a marca que venderia cerca de 25 milhões de cópias.

Versão com StarWriter, StarCalc e StarBase para o Windows 3.1.
Roda no Windows, OS/2, Solaris e Mac OS.
O StarOffice 3.0 passa a ter versão para Linux. Em 1997 sai o StarOffice 4.0.
Sai o StarOffice 5.0, e Marco Börries libera o uso gratuito para fins não comerciais.
A Sun Microsystems compra a Star Division por cerca de US$ 73,5 milhões e lança o StarOffice 5.1a, gratuito também para empresas. Depois vem o StarOffice 5.2, o primeiro lançamento feito pela Sun.

A Sun abre o código do StarOffice sob licença livre (GNU LGPL). Esse código dá origem ao projeto OpenOffice.org.

O formato de arquivo XML do OpenOffice.org é oferecido ao consórcio OASIS e se torna, mais tarde, o Open Document Format (ODF), o padrão aberto usado até hoje.

No Brasil, voluntários se organizam para traduzir o OpenOffice.org. Em fevereiro, Raffaela Braconi, líder internacional do projeto de tradução (L10N), passa a coordenação brasileira para Cláudio Ferreira Filho.
O grupo traduz o glossário padrão, que serve de base para as primeiras versões em português, e cria funcionalidades para o Brasil. Nasce o OpenOffice.org.br. No mesmo ano sai a versão 1.0, com os cinco programas que já existiam no StarOffice.

O OpenOffice.org 1.1 traz exportação para PDF com um clique, exportação de apresentações para Flash e suporte a complementos. Em junho é anunciada a versão para macOS. O OpenOffice.org.br passa a representar oficialmente a suíte no Brasil.

A Sun retira a licença SISSL e fica só a LGPL. Em outubro chega o OpenOffice.org 2.0, com o ODF como formato padrão, melhor desempenho, menos memória e um novo programa: o Base.

Por causa de uma disputa de marca movida por uma empresa do Rio de Janeiro, que tinha registrado o nome "Open Office", a versão brasileira passa a se chamar BrOffice.org.

A versão 2.2.1 é a primeira do BrOffice.org lançada junto com o calendário internacional. O Brasil foi o único país que precisou usar um nome diferente do mundial.

Interface nativa no Mac OS X, importação de arquivos do Office 2007 (OOXML), suporte ao ODF 1.2 e o novo Centro de Partida.

A Oracle anuncia a compra da Sun Microsystems por US$ 7,4 bilhões. Dez anos antes, a Star Division tinha sido vendida por US$ 73,5 milhões.

Membros da comunidade do OpenOffice.org, discordando dos rumos dados pela Oracle, anunciam a The Document Foundation: uma fundação sem fins lucrativos, independente e democrática. O seu projeto principal é o LibreOffice.
O BrOffice passa a acompanhar o LibreOffice e a representá-lo no Brasil.

Em 25 de janeiro sai o LibreOffice 3.3, já em português do Brasil. A Oracle encerra o OpenOffice.org e doa o código para a Apache Software Foundation, que segue com o Apache OpenOffice.
Na Dinamarca, 13 hospitais da região de Copenhague migram quase 25 mil computadores para o LibreOffice. Acontece a primeira Conferência do LibreOffice, em Paris.
No Brasil, a Associação BrOffice.org é extinta, e a versão 3.4 já usa o nome LibreOffice em português.

O governo francês começa a instalar o LibreOffice em quase 500 mil computadores dos ministérios. Saem as versões 3.5 e 3.6, com importação de arquivos do Visio e escalas de cores no Calc.

A região de Valência, na Espanha, migra 120 mil computadores. O LibreOffice 4.1 traz a barra lateral e a incorporação de fontes nos documentos.

A cidade de Toulouse, na França, economiza 1 milhão de euros com a migração, e o Reino Unido adota o ODF como padrão oficial. Saem as versões 4.2 e 4.3.

Visualização de estilos na barra lateral, emojis e recorte de imagens no Writer. O Ministério da Defesa da Itália anuncia a instalação em 120 mil computadores.

Interface reorganizada e novas ferramentas de desenho. A polícia da Lituânia migra 8 mil computadores. Começa o LibreOffice Online, na nuvem.

Estilos de tabela no Writer, a interface experimental em abas (Notebookbar) e gráficos de tabela dinâmica no Calc.

O LibreOffice 6.0 e o 6.1 trazem dezenas de correções e se firmam como escolha de empresas e governos.

Melhor compatibilidade com arquivos .docx, .xlsx e .pptx e a nova interface em abas. A 6.2 foi a última com instalação de 32 bits no Linux.

A 6.4 traz o gerador de QR Code e a redação automática de dados sensíveis. Em agosto chega o 7.0, com ODF 1.3, o motor gráfico Skia no Windows e salvamento nativo em .docx no padrão do Office 2013 a 2019.

Em plena pandemia, a comunidade continua: versões mais rápidas para abrir arquivos grandes e melhor compatibilidade com o Office.

Abertura mais rápida de .docx e .xlsx, suporte a imagens WebP, 16.384 colunas no Calc e modo escuro experimental no Windows.

Para Windows (Intel, AMD e ARM), macOS (Apple Silicon e Intel) e Linux. A 7.6 foi a última com o número antigo.

Contra as apostas de 7.7 ou 8.0, o LibreOffice passa a usar ano.mês: 24.2 em fevereiro e 24.8 em agosto. O número deixa de depender das novidades e passa a mostrar quando a versão saiu.

A 25.2.7 encerra a série 25.2, e os usuários são convidados a passar para a 25.8.

A 26.2 trouxe importação e exportação de Markdown, conectores no Calc, vários usuários no Base e o motor Skia obrigatório no Windows e no macOS. Depois veio a série 26.8.

Desde 2024 o número mostra quando a versão saiu: 24.2 é fevereiro de 2024, 24.8 é agosto de 2024. Antes era 7.5, 7.6 e assim por diante.
Duas séries por ano. Cada série recebe correções (x.y.1, x.y.2…) por cerca de nove meses. Quem precisa de mais estabilidade espera a primeira ou a segunda correção.
Antes de cada versão saem testes: X.Y.0.0.alpha, beta e as candidatas X.Y.0.1, .2… A última candidata aprovada vira a versão final.
Do StarOffice vieram o OpenOffice.org e, dele, o LibreOffice, o Apache OpenOffice e o Collabora Online. O NeoOffice parou em 2024.

Esta linha do tempo foi montada com pesquisa em libreoffice.org, Wikipédia, StarOffice, OpenOffice, projeto GNU, BrOffice.org e na própria comunidade. Um agradecimento especial a Richard Stallman, que me apresentou ao mundo GNU; a Jon "Maddog" Hall, que tive a satisfação de conhecer; e a Linus Torvalds: depois de terminar uma palestra, vi o criador do Linux entrar na sala para a próxima, e o coração se encheu de alegria. É um orgulho contribuir com esta pequena cereja no bolo da tecnologia.


— Rogerio Barreto, mantenedor do LibreOffice Brasil